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Poema de Augusto dos Anjos 2

domingo, 20 de outubro de 2013.
Voltei, como prometido para o outro post sobre um dos animais mais lindos na minha opinião...
O Morcego!!!

Bom, vamos ao poema!!!


O morcego

Meia noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vêde:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
— Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o tecto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh'alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!



Augusto dos Anjos

Bom, espero que tenham gostado do poema!! beijos
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Poema de Augusto dos Anjos


Olá gente, quanto tempo!!
Ando tendo alguns sentimentos e pensamentos meios solitários e um tanto quanto melancólicos de algo que nunca senti, ou melhor... algo que queria sentir e não sinto, por isso procurei sobre isso na internet e me veio esse poema de Augusto dos Anjos, que é um autor que me prende sempre que vejo ou leio algo dele...

Por isso, resolvi postar aqui para vocês dois dele, mas como são temas separados vou postá-los separadamente, assim este é o primeiro!

SOLITÁRIO
Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos contorta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
-- Velho caixão a carregar destroços --

Levando apenas na tumba carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!



Augusto dos Anjos

É isso, espero que gostem e vamos ao segundo no próximo post 
Beijos
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A Gaia

domingo, 11 de agosto de 2013.
Olá a todos, hoje ganhei uma gatinha de rua e demos a ela o nome de Gaia, por isso resolvi escrever aqui a história da inspiração de seu nome: a deusa Gaia...


GaiaGéiaGea ou  é a deusa da Terra, a Mãe Terra, como elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora quase absurda. Segundo Hesíodo, no princípio surge o Caos, e do Caos nascem Gaia, Tártaro, Eros (o amor), Érebo e Nix (a noite).
Gaia gera sozinha Urano, Ponto e as Óreas (as montanhas). Ela gerou Urano, seu igual, com o desejo de ter alguém que a cobrisse completamente, e para que houvesse um lar eterno para os deuses "bem-aventurados".
Com Urano, Gaia gerou os 12 Titãs: Oceano, Céos, Crio, Hiperião, Jápeto, Teia, Reia, Têmis, Mnemosine, a coroada de ouro Febe e a amada Tétis; por fim nasceu Cronos, o mais novo e mais terrível dos seus filhos, que odiava a luxúria do seu pai.
Após, Urano e Gaia geraram os Ciclopes e os Hecatônquiros (Gigantes de Cem Mãos e Cinquenta Cabeças). Sendo Urano capaz de prever o futuro, temeu o poder de filhos tão grandes e poderosos e os encerrou novamente no útero de Gaia. Ela, que gemia com dores atrozes sem poder parir, chamou seus filhos Titãs e pediu auxílio para libertar os irmãos e se vingar do pai. Somente Cronos aceitou. Gaia então tirou do peito o aço e fez a foice dentada. Colocou-a na mão de Cronos e os escondeu, para que, quando viesse Urano, durante a noite não percebesse sua presença. Ao descer, Urano, para se unir mais uma vez com a esposa, foi surpreendido por Cronos, que atacou-o e castrou-o, separando assim o Céu e a Terra.Cronos lançou os testículos de Urano ao mar, mas algumas gotas caíram sobre a terra, fecundando-a. Do sangue de Urano derramado sobre Gaia, nasceram os Gigantes, as Erínias as Melíades. Após a queda de Urano, Cronos subiu ao trono do mundo e libertou os irmãos. Mas vendo o quanto eram poderosos, também os temia e os aprisionou mais uma vez. Gaia, revoltada com o ato de tirania e intolerância do filho, tramou uma nova vingança.
Quando Cronos se casou com Reia e passou a reger todo o universo, Urano lhe anunciou que um de seus filhos o destronaria. Ele então passou a devorar cada recém nascido por conselhos do pai. Mas Gaia ajudou Reia a salvar o filho que viria a ser Zeus. Reia então, em vez de entregar seu filho para Cronos devorar entregou-lhe uma pedra, e escondeu seu filho em uma caverna.
Já adulto, Zeus declarou guerra ao pai e aos demais Titãs com a ajuda de Gaia. E durante cem anos nenhum dos lados chegava ao triunfo. Gaia então foi até Zeus e prometeu que ele venceria e se tornaria rei do universo se descesse ao Tártaro e libertasse os três Ciclopes e os três Hecatônquiros.
Ouvindo os conselhos de Gaia, Zeus venceu Cronos, com a ajuda dos filhos libertos da Terra e se tornou o novo soberano do Universo. Zeus realizou um acordo com os Hecatônquiros para que estes vigiassem os Titãs no fundo do Tártaro. Gaia pela terceira vez se revoltou e lançou mão de todas as suas armas para destronar Zeus.
Num primeiro momento, ela pariu os incontáveis Andróginos, seres com quatro pernas e quatro braços que se ligavam por meio da coluna terminado em duas cabeças, além de possuir os órgãos genitais femininos e masculinos. Os Andróginos surgiam do chão em todos os quadrantes e escalavam o Olimpo com a intenção de destruir Zeus, mas, por conselhos de Têmis, ele e os demais deuses deveriam acertar os Andróginos na coluna, de modo a dividi-los exatamente ao meio. Assim feito, Zeus venceu.
Em uma outra oportunidade, Gaia produziu uma planta que ao ser comida poderia dar imortalidade aos Gigantes; todavia a planta necessitava de luz para crescer. Mas ao saber disto Zeus ordenou que Hélio, Selene, Eos e as Estrelas não subissem ao céu, e escondido nos véus de Nix, ele encontrou a planta e a destruiu. Mesmo assim Gaia incitou os Gigantes a colocarem as montanhas umas sobre as outras na intenção de subir o céu e invadir o Olimpo. Mas Zeus e os outros deuses venceram novamente.
Como última alternativa, enviou seu filho mais novo e o mais horrendo, Tifão para dar cabo dos deuses e seus aliados, mas os deuses se uniram contra a terrível criatura e depois de uma terrível e sangrenta batalha, eles conseguem vencer o último filho de Gaia.
Enfim, Gaia cedeu e acordou com Zeus que jamais voltaria a tramar contra seu governo. Dessa forma, ela foi recebida como uma deusa Olímpica.
Bom, essa versão eu peguei da wikipédia, pq eu achei que fosse a mais completa... espero que vcs gostem e quando eu estiver com ela (na segunda) eu tiro uma foto dela e coloco aqui :)

Beijos

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Hannibal

quinta-feira, 18 de julho de 2013.
Oi gente, quanto tempo que não vinha aqui, né??

Então, resolvi reaparecer trazendo uma série que estou completamente apaixonada... a série Hannibal.
Não sei se vcs sabem, mas eu faço faculdade de psicologia e isso auxiliou para que eu visse a série, mesmo que pra mim seja insubstituível o Anthony Hopkins como Hannibal, mas isso é superado no segundo ou terceiro episódio da série pela atuação incrível do Mads Mikkelsen ... Também devo dizer que houve um ponto Dancy para que aumentasse a vontade de ver a série, pois Hungh Dancy está PERFEITO no papel de Will Graham (sorry Edward Norton!). Bom, mas vamos ao resumo da série, né... hihi


A série se baseia no livro Dragão Vermelho (que é minha meta de compra, #Fato) e ela se baseia na relação psiquiatra/paciente entre Will e Hannibal, mas no meio disso tem os assassinatos mais tensos de uma série de tv (tirando o sangue e a areia de Spartacus, talvez ahh e as mortes de GOT T.T). Indo de um totem feito com partes humanas, asas de anjos feitas com as partes das costas das pessoas e uma plantação de cogumelos com pessoas como adubo (mas a série é boa gente, não desistam haha).
Somado a isso tudo a gente tem o CSI Laurence Fishburne que faz Jack Cranwford e a chata psicóloga Alana Bloon (Caroline Dhavernas) Cara, ela foi odiada a série toda por mim, mas até que no final ela ajuda um pouco o Will.

Mas agora, falando da série, né hihihi....

Will Graham é um talentoso fornecedor de perfis criminosos que está em busca de um serial killer, com a ajuda do FBI. A forma única de Graham pensar dá a ele a habilidade de ter empatia com qualquer um – até mesmo psicopatas. Ele parece saber o que os afeta.

Entretanto, a mente do homem procurado é muito complicada, até mesmo para Graham, portanto, ele busca pela ajuda do Dr. Lecter – um dos maiores psiquiatras do país. Armado com o conhecimento do brilhante doutor, Will e Hannibal (conhecido como um serial killer apenas pela audiência) formam uma parceria brilhante, na qual nenhum vilão escapa. Mas Will não sabe de nada...     

Agora algumas fotos...
 

Esse é o Will Graham 

Então gente é isso, vcs já viram ou ouviram falar dessa série???
Beijos

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O jardim

segunda-feira, 15 de abril de 2013.
Boa noite a todos...
Um anonimo muito gentil postou esse texto de H. P. Lovecraft nos comentários do post anterior sobre ele e achei tão lindo que resolvi postá-lo aqui... como forma de agradecimento, mesmo sendo um post anonimo!!!

Bom, sem mais demoras vamos "Ao Jardim"



Existe um jardim antigo com o qual às vezes sonho,
sobre o qual o sol de maio despeja um brilho tristonho;
onde as flores mais vistosas perderam a cor, secaram;
e as paredes e as colunas são idéias que passaram.

Crescem heras de entre as fendas, e o matagal desgrenhado
sufoca a pérgula, e o tanque foi pelo musgo tomado.
Pelas áleas silenciosas vê-se a erva esparsa brotar,
e o odor mofado de coisas mortas se derrama no ar.

Não há nenhuma criatura viva no espaço ao redor,
e entre a quietude das cercas não se ouve qualquer rumor.
E, enquanto ando, observo, escuto, uma ânsia às vezes me invade
de saber quando é que vi tal jardim numa outra idade.

A visão de dias idos em mim ressurge e demora,
quando olho as cenas cinzentas que sinto ter visto outrora.
E, de tristeza, estremeço ao ver que essas flores são
minhas esperanças murchas – e o jardim, meu coração.
H. P. Lovecraft

Enfim, espero que gostem e muito obrigada por seguirem o blog!!
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Mais um pouquinho de Poe!

segunda-feira, 25 de março de 2013.
Olá queridos, boa noite a todos!

Acho que vcs conseguem ver o quanto eu gosto da literatura do Edgar Allan Poe, e acredito que vcs também gostem muito, pois são os posts mais visualizados do blog...
Mas enfim, procurei na net mais um de seus contos e achei alguns muito interessantes, mas principalmente "O Gato Preto", não é porque eu sou completamente apaixonada por esses animais, mas é uma forma de demonstrar que maltratá-los nunca é uma boa escolha!!!

Bom, leiam o conto, por favor, e depois me digam o que acharam!!




Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã posso morrer e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas consequências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e instruíram.
No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror _ mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotesco. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum _ uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que, a minha, que perceba, nas circunstâncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais.
Desde a infância, tomaram-se patentes a docilidade e o sentido humano de meu caráter. A ternura de meu coração era tão evidente, que me tomava alvo dos gracejos de meus companheiros. Gostava, especialmente, de animais, e meus pais me permitiam possuir grande variedade deles. Passava com eles quase todo o meu tempo, e jamais me sentia tão feliz como quando lhes dava de comer ou os acariciava. Com os anos, aumentou esta peculiaridade de meu caráter e, quando me tomei adulto, fiz dela uma das minhas principais fontes de prazer. Aos que já sentiram afeto por um cão fiel e sagaz, não preciso dar-me ao trabalho de explicar a natureza ou a intensidade da satisfação que se pode ter com isso. Há algo, no amor desinteressado, e capaz de sacrifícios, de um animal, que toca diretamente o coração daqueles que tiveram ocasiões frequentes de comprovar a amizade mesquinha e a frágil fidelidade de um simples homem.
Casei cedo, e tive a sorte de encontrar em minha mulher disposição semelhante à minha. Notando o meu amor pelos animais domésticos, não perdia a oportunidade de arranjar as espécies mais agradáveis de bichos. Tínhamos pássaros, peixes dourados, um cão, coelhos, um macaquinho e um gato.
Este último era um animal extraordinariamente grande e belo, todo negro e de espantosa sagacidade. Ao referir-se à sua inteligência, minha mulher, que, no íntimo de seu coração, era um tanto supersticiosa, fazia frequentes alusões à antiga crença popular de que todos os gatos pretos são feiticeiras disfarçadas. Não que ela se referisse seriamente a isso: menciono o fato apenas porque aconteceu lembrar-me disso neste momento.
Pluto _ assim se chamava o gato _ era o meu preferido, com o qual eu mais me distraía. Só eu o alimentava, e ele me seguia sempre pela casa. Tinha dificuldade, mesmo, em impedir que me acompanhasse pela rua.
Nossa amizade durou, desse modo, vários anos, durante os quais não só o meu caráter como o meu temperamento _ enrubesço ao confessá-lo _ sofreram, devido ao demônio da intemperança, uma modificação radical para pior. Tomava-me, dia a dia, mais taciturno, mais irritadiço, mais indiferente aos sentimentos dos outros. Sofria ao empregar linguagem desabrida ao dirigir-me à minha mulher. No fim, cheguei mesmo a tratá-la com violência. Meus animais, certamente, sentiam a mudança operada em meu caráter. Não apenas não lhes dava atenção alguma, como, ainda, os maltratava. Quanto a Pluto, porém, ainda despertava em mim consideração suficiente que me impedia de maltratá-lo, ao passo que não sentia escrúpulo algum em maltratar os coelhos, o macaco e mesmo o cão, quando, por acaso ou afeto, cruzavam em meu caminho. Meu mal, porém, ia tomando conta de mim _ que outro mal pode se comparar ao álcool? _ e, no fim, até Pluto, que começava agora a envelhecer e, por conseguinte, se tomara um tanto rabugento, até mesmo Pluto começou a sentir os efeitos de meu mau humor.
Certa noite, ao voltar a casa, muito embriagado, de uma de minhas andanças pela cidade, tive a impressão de que o gato evitava a minha presença. Apanhei-o, e ele, assustado ante a minha violência, me feriu a mão, levemente, com os dentes. Uma fúria demoníaca apoderou-se, instantaneamente, de mim. Já não sabia mais o que estava fazendo. Dir-se-ia que, súbito, minha alma abandonara o corpo, e uma perversidade mais do que diabólica, causada pela genebra, fez vibrar todas as fibras de meu ser. Tirei do bolso um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pela garganta e, friamente, arranquei de sua órbita um dos olhos! Enrubesço, estremeço, abraso-me de vergonha, ao referir-me, aqui, a essa abominável atrocidade.
Quando, com a chegada da manhã, voltei à razão _ dissipados já os vapores de minha orgia noturna, experimentei, pelo crime que praticara, um sentimento que era um misto de horror e remorso; mas não passou de um sentimento superficial e equívoco, pois minha alma permaneceu impassível. Mergulhei novamente em excessos, afogando logo no vinho a lembrança do que acontecera.
Entrementes, o gato se restabeleceu, lentamente. A órbita do olho perdido apresentava, é certo, um aspecto horrendo, mas não parecia mais sofrer qualquer dor. Passeava pela casa como de costume, mas, como bem se poderia esperar, fugia, tomado de extremo terror, à minha aproximação. Restava-me ainda o bastante de meu antigo coração para que, a princípio, sofresse com aquela evidente aversão por parte de um animal que, antes, me amara tanto. Mas esse sentimento logo se transformou em irritação. E, então, como para perder-me final e irremissivelmente, surgiu o espírito da perversidade. Desse espírito, a filosofia não toma conhecimento. Não obstante, tão certo como existe minha alma, creio que a perversidade é um dos impulsos primitivos do coração humano – uma das faculdades, ou sentimentos primários, que dirigem o caráter do homem. Quem não se viu, centenas de vezes, a cometer ações vis ou estúpidas, pela única razão de que sabia que não devia cometê-las? Acaso não sentimos uma inclinação constante mesmo quando estamos no melhor do nosso juízo, para violar aquilo que é lei, simplesmente porque a compreendemos como tal? Esse espírito de perversidade, digo eu, foi a causa de minha queda final. O vivo e insondável desejo da alma de atormentar-se a si mesma, de violentar sua própria natureza, de fazer o mal pelo próprio mal, foi o que me levou a continuar e, afinal, a levar a cabo o suplício que infligira ao inofensivo animal. Uma manhã, a sangue frio, meti- lhe um nó corredio em torno do pescoço e enforquei-o no galho de uma árvore. Fi-lo com os olhos cheios de lágrimas, com o coração transbordante do mais amargo remorso. Enforquei-o porque sabia que ele me amara, e porque reconhecia que não me dera motivo algum para que me voltasse contra ele. Enforquei-o porque sabia que estava cometendo um pecado _ um pecado mortal que comprometia a minha alma imortal, afastando-a, se é que isso era possível, da misericórdia infinita de um Deus infinitamente misericordioso e infinitamente terrível.
Na noite do dia em que foi cometida essa ação tão cruel, fui despertado pelo grito de “fogo!”. As cortinas de minha cama estavam em chamas. Toda a casa ardia. Foi com grande dificuldade que minha mulher, uma criada e eu conseguimos escapar do incêndio. A destruição foi completa. Todos os meus bens terrenos foram tragados pelo fogo, e, desde então, me entreguei ao desespero.
Não pretendo estabelecer relação alguma entre causa e efeito – entre o desastre e a atrocidade por mim cometida. Mas estou descrevendo uma sequência de fatos, e não desejo omitir nenhum dos elos dessa cadeia de acontecimentos. No dia seguinte ao do incêndio, visitei as ruínas. As paredes, com exceção de uma apenas, tinham desmoronado. Essa única exceção era constituída por um fino tabique interior, situado no meio da casa, junto ao qual se achava a cabeceira de minha cama. O reboco havia, aí, em grande parte, resistido à ação do fogo _ coisa que atribuí ao fato de ter sido ele construído recentemente. Densa multidão se reunira em torno dessa parede, e muitas pessoas examinavam, com particular atenção e minuciosidade, uma parte dela, As palavras “estranho!”, “singular!”, bem como outras expressões semelhantes, despertaram-me a curiosidade. Aproximei- me e vi, como se gravada em baixo-relevo sobre a superfície branca, a figura de um gato gigantesco. A imagem era de uma exatidão verdadeiramente maravilhosa. Havia uma corda em tomo do pescoço do animal.
Logo que vi tal aparição, pois não poderia considerar aquilo como sendo outra coisa, o assombro e terror que se me apoderaram foram extremos. Mas, finalmente, a reflexão veio em meu auxílio. O gato, lembrei-me, fora enforcado num jardim existente junto à casa. Aos gritos de alarma, o jardim fora imediatamente invadido pela multidão. Alguém deve ter retirado o animal da árvore, lançando- o, através de uma janela aberta, para dentro do meu quarto. Isso foi feito, provavelmente, com a intenção de despertar-me. A queda das outras paredes havia comprimido a vítima de minha crueldade no gesso recentemente colocado sobre a parede que permanecera de pé. A cal do muro, com as chamas e o amoníaco desprendido da carcaça, produzira a imagem tal qual eu agora a via.
Embora isso satisfizesse prontamente minha razão, não conseguia fazer o mesmo, de maneira completa, com minha consciência, pois o surpreendente fato que acabo de descrever não deixou de causar-me, apesar de tudo, profunda impressão. Durante meses, não pude livrar-me do fantasma do gato e, nesse espaço de tempo, nasceu em meu espírito uma espécie de sentimento que parecia remorso, embora não o fosse. Cheguei, mesmo, a lamentar a perda do animal e a procurar, nos sórdidos lugares que então frequentava, outro bichano da mesma espécie e de aparência semelhante que pudesse substituí-lo.
Uma noite, em que me achava sentado, meio aturdido, num antro mais do que infame, tive a atenção despertada, subitamente, por um objeto negro que jazia no alto de um dos enormes barris, de genebra ou rum, que constituíam quase que o único mobiliário do recinto. Fazia já alguns minutos que olhava fixamente o alto do barril, e o que então me surpreendeu foi não ter visto antes o que havia sobre o mesmo. Aproximei-me e toquei-o com a mão. Era um gato preto, enorme _ tão grande quanto Pluto _ e que, sob todos os aspectos, salvo um, se assemelhava a ele. Pluto não tinha um único pêlo branco em todo o corpo _ e o bichano que ali estava possuía uma mancha larga e branca, embora de forma indefinida, a cobrir-lhe quase toda a região do peito.
Ao acariciar-lhe o dorso, ergueu-se imediatamente, ronronando com força e esfregando-se em minha mão, como se a minha atenção lhe causasse prazer. Era, pois, o animal que eu procurava. Apressei-me em propor ao dono a sua aquisição, mas este não manifestou interesse algum pelo felino. Não o conhecia; jamais o vira antes.
Continuei a acariciá-lo e, quando me dispunha a voltar para casa, o animal demonstrou disposição de acompanhar-me. Permiti que o fizesse _ detendo-me, de vez em quando, no caminho, para acariciá-lo. Ao chegar, sentiu-se imediatamente à vontade, como se pertencesse a casa, tomando- se, logo, um dos bichanos preferidos de minha mulher.
De minha parte, passei a sentir logo aversão por ele. Acontecia, pois, justamente o contrário do que eu esperava. Mas a verdade é que – não sei como nem por quê _ seu evidente amor por mim me desgostava e aborrecia. Lentamente, tais sentimentos de desgosto e fastio se converteram no mais amargo ódio. Evitava o animal. Uma sensação de vergonha, bem como a lembrança da crueldade que praticara, impediam-me de maltratá-lo fisicamente. Durante algumas semanas, não lhe bati nem pratiquei contra ele qualquer violência; mas, aos poucos – muito gradativamente _ , passei a sentir por ele inenarrável horror, fugindo, em silêncio, de sua odiosa presença, como se fugisse de uma peste.
Sem dúvida, o que aumentou o meu horror pelo animal foi a descoberta, na manhã do dia seguinte ao que o levei para casa, que, como Pluto, também havia sido privado de um dos olhos. Tal circunstância, porém, apenas contribuiu para que minha mulher sentisse por ele maior carinho, pois, como já disse, era dotada, em alto grau, dessa ternura de sentimentos que constituíra, em outros tempos, um de meus traços principais, bem como fonte de muitos de meus prazeres mais simples e puros.
No entanto, a preferência que o animal demonstrava pela minha pessoa parecia aumentar em razão direta da aversão que sentia por ele. Seguia-me os passos com uma pertinácia que dificilmente poderia fazer com que o leitor compreendesse. Sempre que me sentava, enrodilhava- se embaixo de minha cadeira, ou me saltava ao colo, cobrindo-me com suas odiosas carícias. Se me levantava para andar, metia-se-me entre as pernas e quase me derrubava, ou então, cravando suas longas e afiadas garras em minha roupa, subia por ela até o meu peito. Nessas ocasiões, embora tivesse ímpetos de matá-lo de um golpe, abstinha-me de fazê-lo devido, em parte, à lembrança de meu crime anterior, mas, sobretudo _ apresso-me a confessá-lo _ , pelo pavor extremo que o animal me despertava.
Esse pavor não era exatamente um pavor de mal físico e, contudo, não saberia defini-lo de outra maneira. Quase me envergonha confessar _ sim, mesmo nesta cela de criminoso _ , quase me envergonha confessar que o terror e o pânico que o animal me inspirava eram aumentados por uma das mais puras fantasias que se possa imaginar. Minha mulher, mais de uma vez, me chamara a atenção para o aspecto da mancha branca a que já me referi, e que constituía a única diferença visível entre aquele estranho animal e o outro, que eu enforcara. O leitor, decerto, se lembrará de que aquele sinal, embora grande, tinha, a princípio, uma forma bastante indefinida. Mas, lentamente, de maneira quase imperceptível _ que a minha imaginação, durante muito tempo, lutou por rejeitar como fantasiosa _, adquirira, por fim, uma nitidez rigorosa de contornos. Era, agora, a imagem de um objeto cuja menção me faz tremer… E, sobretudo por isso, eu o encarava como a um monstro de horror e repugnância, do qual eu, se tivesse coragem, me teria livrado. Era agora, confesso, a imagem de uma coisa odiosa, abominável: a imagem da forca! Oh, lúgubre e terrível máquina de horror e de crime, de agonia e de morte!
Na verdade, naquele momento eu era um miserável _ um ser que ia além da própria miséria da humanidade. Era uma besta-fera, cujo irmão fora por mim desdenhosamente destruído… uma besta- fera que se engendrara em mim, homem feito à imagem do Deus Altíssimo. Oh, grande e insuportável infortúnio! Ai de mim! Nem de dia, nem de noite, conheceria jamais a bênção do descanso! Durante o dia, o animal não me deixava a sós um único momento; e, à noite, despertava de hora em hora, tomado do indescritível terror de sentir o hálito quente da coisa sobre o meu rosto, e o seu enorme peso _ encarnação de um pesadelo que não podia afastar de mim _ pousado eternamente sobre o meu coração!
Sob a pressão de tais tormentos, sucumbiu o pouco que restava em mim de bom. Pensamentos maus converteram-se em meus únicos companheiros _ os mais sombrios e os mais perversos dos pensamentos. Minha rabugice habitual se transformou em ódio por todas as coisas e por toda a humanidade _ e enquanto eu, agora, me entregava cegamente a súbitos, frequentes e irreprimíveis acessos de cólera, minha mulher – pobre dela! – não se queixava nunca convertendo-se na mais paciente e sofredora das vítimas.
Um dia, acompanhou-me, para ajudar-me numa das tarefas domésticas, até o porão do velho edifício em que nossa pobreza nos obrigava a morar, O gato seguiu-nos e, quase fazendo-me rolar escada abaixo, me exasperou a ponto de perder o juízo. Apanhando uma machadinha e esquecendo o terror pueril que até então contivera minha mão, dirigi ao animal um golpe que teria sido mortal, se atingisse o alvo. Mas minha mulher segurou-me o braço, detendo o golpe. Tomado, então, de fúria demoníaca, livrei o braço do obstáculo que o detinha e cravei-lhe a machadinha no cérebro. Minha mulher caiu morta instantaneamente, sem lançar um gemido.
Realizado o terrível assassínio, procurei, movido por súbita resolução, esconder o corpo. Sabia que não poderia retirá-lo da casa, nem de dia nem de noite, sem correr o risco de ser visto pelos vizinhos.
Ocorreram-me vários planos. Pensei, por um instante, em cortar o corpo em pequenos pedaços e destruí-los por meio do fogo. Resolvi, depois, cavar uma fossa no chão da adega. Em seguida, pensei em atirá-lo ao poço do quintal. Mudei de ideia e decidi metê-lo num caixote, como se fosse uma mercadoria, na forma habitual, fazendo com que um carregador o retirasse da casa. Finalmente, tive uma ideia que me pareceu muito mais prática: resolvi emparedá-lo na adega, como faziam os monges da Idade Média com as suas vítimas.
Aquela adega se prestava muito bem para tal propósito. As paredes não haviam sido construídas com muito cuidado e, pouco antes, haviam sido cobertas, em toda a sua extensão, com um reboco que a umidade impedira de endurecer. Ademais, havia uma saliência numa das paredes, produzida por alguma chaminé ou lareira, que fora tapada para que se assemelhasse ao resto da adega. Não duvidei de que poderia facilmente retirar os tijolos naquele lugar, introduzir o corpo e recolocá-los do mesmo modo, sem que nenhum olhar pudesse descobrir nada que despertasse suspeita.
E não me enganei em meus cálculos. Por meio de uma alavanca, desloquei facilmente os tijolos e tendo depositado o corpo, com cuidado, de encontro à parede interior. Segurei-o nessa posição, até poder recolocar, sem grande esforço, os tijolos em seu lugar, tal como estavam anteriormente. Arranjei cimento, cal e areia e, com toda a precaução possível, preparei uma argamassa que não se podia distinguir da anterior, cobrindo com ela, escrupulosamente, a nova parede. Ao terminar, senti-me satisfeito, pois tudo correra bem. A parede não apresentava o menor sinal de ter sido rebocada. Limpei o chão com o maior cuidado e, lançando o olhar em tomo, disse, de mim para comigo: “Pelo menos aqui, o meu trabalho não foi em vão”.
O passo seguinte foi procurar o animal que havia sido a causa de tão grande desgraça, pois resolvera, finalmente, matá-lo. Se, naquele momento, tivesse podido encontrá-lo, não haveria dúvida quanto à sua sorte: mas parece que o esperto animal se alarmara ante a violência de minha cólera, e procurava não aparecer diante de mim enquanto me encontrasse naquele estado de espírito. Impossível descrever ou imaginar o profundo e abençoado alívio que me causava a ausência de tão detestável felino. Não apareceu também durante a noite _ e, assim, pela primeira vez, desde sua entrada em casa, consegui dormir tranquila e profundamente. Sim, dormi mesmo com o peso daquele assassínio sobre a minha alma.
Transcorreram o segundo e o terceiro dia _ e o meu algoz não apareceu. Pude respirar, novamente, como homem livre. O monstro, aterrorizado fugira para sempre de casa. Não tomaria a vê-lo! Minha felicidade era infinita! A culpa de minha tenebrosa ação pouco me inquietava. Foram feitas algumas investigações, mas respondi prontamente a todas as perguntas. Procedeu-se, também, a uma vistoria em minha casa, mas, naturalmente, nada podia ser descoberto. Eu considerava já como coisa certa a minha felicidade futura.
No quarto dia após o assassinato, uma caravana policial chegou, inesperadamente, a casa, e realizou, de novo, rigorosa investigação. Seguro, no entanto, de que ninguém descobriria jamais o lugar em que eu ocultara o cadáver, não experimentei a menor perturbação. Os policiais pediram- me que os acompanhasse em sua busca. Não deixaram de esquadrinhar um canto sequer da casa. Por fim, pela terceira ou quarta vez, desceram novamente ao porão. Não me alterei o mínimo que fosse. Meu coração batia calmamente, como o de um inocente. Andei por todo o porão, de ponta a ponta. Com os braços cruzados sobre o peito, caminhava, calmamente, de um lado para outro. A polícia estava inteiramente satisfeita e preparava-se para sair. O júbilo que me inundava o coração era forte demais para que pudesse contê-lo. Ardia de desejo de dizer uma palavra, uma única palavra, à guisa de triunfo, e também para tomar duplamente evidente a minha inocência.
_ Senhores _ disse, por fim, quando os policiais já subiam a escada _ , é para mim motivo de grande satisfação haver desfeito qualquer suspeita. Desejo a todos os senhores ótima saúde e um pouco mais de cortesia. Diga-se de passagem, senhores, que esta é uma casa muito bem construída… (Quase não sabia o que dizia, em meu insopitável desejo de falar com naturalidade.) Poderia, mesmo, dizer que é uma casa excelentemente construída. Estas paredes _ os senhores já se vão? _ , estas paredes são de grande solidez.
Nessa altura, movido por pura e frenética fanfarronada, bati com força, com a bengala que tinha na mão, justamente na parte da parede atrás da qual se achava o corpo da esposa de meu coração.
Que Deus me guarde e livre das garras de Satanás! Mal o eco das batidas mergulhou no silêncio, uma voz me respondeu do fundo da tumba, primeiro com um choro entrecortado e abafado, como os soluços de uma criança; depois, de repente, com um grito prolongado, estridente, contínuo, completamente anormal e inumano. Um uivo, um grito agudo, metade de horror, metade de triunfo, como somente poderia ter surgido do inferno, da garganta dos condenados, em sua agonia, e dos demônios exultantes com a sua condenação.
Quanto aos meus pensamentos, é loucura falar. Sentindo-me desfalecer, cambaleei até à parede oposta. Durante um instante, o grupo de policiais deteve-se na escada, imobilizado pelo terror. Decorrido um momento, doze braços vigorosos atacaram a parede, que caiu por terra. O cadáver, já em adiantado estado de decomposição, e coberto de sangue coagulado, apareceu, ereto, aos olhos dos presentes.
Sobre sua cabeça, com a boca vermelha dilatada e o único olho chamejante, achava-se pousado o animal odioso, cuja astúcia me levou ao assassínio e cuja voz reveladora me entregava ao carrasco. Eu havia emparedado o monstro dentro da tumba!

Edgar Allan Poe

Vcs podem achar mais contos dele clicando aqui!



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O corvo

quarta-feira, 20 de março de 2013.

Olá queridos!

Esses dias vi um filme muito bom e queria compartilhá-los com vocês!! Sei que depois de tanto tempo sem postar deveria estar me desculpando, mas já fiz tanto isso, né?? mais uma vez desculpem... tentarei postar mais!!

Mas... voltando ao filme:
Seu nome é "O Corvo" ele é de 2012 e conta com John Cusack no elenco fazendo o papel do meu lindo Edgar Allan Poe!!!


 O filme traz o poeta mais atormentado (como suas "crias") porque alguém resolveu usar a imaginação dele como inspiração para cometer crimes sangrentos. Para piorar, sequestrou sua namorada e pretende matá-la num curto espaço de tempo.
Nesse meio tempo as lindas obras de Poe são demonstradas no filme, como por exemplo o conto da “Marcara da morte escarlate”, o que faz com que o filme fique muito interessante é que também se vê um certo ar de Sherlock Homes, já que é preciso capturar esse serial killer a tempo de salvar a amada de Poe.
No final eles usam de um artificio verdadeiro (a morte de Edgar) para dar um ar mais romântico e de certa forma fácil de se entender, já que o autor que na vida real foi encontrado praticamente morto em circunstâncias misteriosas. O interessante é que o roteiro planta esse momento final de vida no começo da trama, amarrando o fato até o fim da história.
Enfim, é um filme que eu gostei muito, apesar de não ter tantas criticas boas… Recomendo-o para quem gosta do assunto e para as pessoas que queiram conhecer as obras dele sem ter que lê-las por completo!
E ai, alguém já viu esse filme?
Beijos e boa noite!  
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Algumas modificações

terça-feira, 11 de dezembro de 2012.



Oi gente!!
Resolvi fazer algumas modificaçõezinhas não blog, pra dar uma cara mais ou menos nova...

E ai, o que acharam??

Beijos e boa noite
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Reich Mir Die Hand

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012.

Oie gente!
Essa é uma musica muito linda da banda alamã Blutengel, espero que gostem :)
Me Dê a Mão
Você vagueia pela noite fria e solitária
Em busca do infinito.
Guiado pela ganância que cresce em você e
Irá destruir sua alma pedaço por pedaço

Ela diminui sua razão e sua mente,
Você vê o mundo somente em tons escuros.
Pra você, a caça começou aqui e agora
O sangue do destino gruda em suas mãos.

Me dê a mão, o nosso mundo irá queimar
A dor e o medo vão perecer no fogo
Me dê a mão, o nosso mundo está queimando
Nosso orgulho e nosso sangue ficarão unidos por toda a eternidade.

Você sente a força, sente a nova liberdade?
Nascida de um passado obscuro,
A memória da sua antiga vida,
Empalidece na sombra de um novo tempo.

Ela diminui sua razão e sua mente,
Você vê o mundo somente em tons escuros.
Pra você, a caça começou aqui e agora
O sangue do destino gruda em suas mãos.

Me dê a mão, o nosso mundo irá queimar
A dor e o medo vão perecer no fogo
Me dê a mão, o nosso mundo está queimando
Nosso orgulho e nosso sangue ficarão unidos por toda a eternidade.

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Queen of Damned


Olá gente,
Olha eu aqui de novo!!
Eu tava mexendo nas pastas de posts do blog e achei um post sobre o filme Rainha dos Condenados que eu não tinha postado e estava incompleto...
Pensei que vcs amantes do Lestat lindo teriam muita coisa para falar sobre esse filme, não??

Maaaas antes de tudo gostaria de dizer que eu, infelizmente, não terminei de ler o livro (ou os livros), então, mesmo que eu não tenha muita coisa para comparar eu digo que não gostei muito do filme, sei lá o Lestat pra mim foi um só... (O Tom Cruise, mesmo que eu não goste muito dele agora, mas naquela época ele e o Brad Pitt fizeram o melhor dos dois vampiros pra mim). 
Assim eu acredito que se pensarmos como se fosse uma outra história o filme, inexplicavelmente, fica bom!! Com a atuação do Stuart Towsend que é ótimo e lindo e a Aaliya (mesmo com aquele andarzinho... hahaha) é uma boa atriz também.
Bom, tá faltando a história, né... hiihih

Queen of the Damned conta a história de um vampiroLestat, que após acordar de um sono que durou muitos anos se depara com um mundo completamente diferente do que conhecia. Após se acostumar com o "novo mundo" ele se torna um astro do rock, mas então ele descobre que a rainha dos vampiros, Akasha,  a rainha vampira do antigo Egito, com poderes destrutivos praticamente ilimitados. quer que ele se torne seu rei.Mas há uma legião de vampiros que desaprova esta união. O conflito será inevitável. 

Porém, uma coisa deve ser dita... a melhor parte do filme com certeza são os clipes e o show do Lestat e a trilha sonora que também é perfeita feita pela banda Korn... 


Bom, apesar de tudo é um filme que eu demorei para achar e que eu gostei de algumas coisas...

E vcs o que acharam da "nova" cara do Lestat e do filme??
Comentem!!
Beijos e Boa Noite :)



      
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Sebastian, um mordomo demônio e tanto...

Oie meu povo amado :)

Primeiro queria pedir desculpas pela falta de postagens... tudo isso se deve a minha linda faculdade de psicologia, que dessa vez, quase sugou todo o meu sangue (e nem era um desses meus vampiros lindos!!)

E queria agradecer também a Rafaela do http://thedarkopendoors.blogspot.com.br/ por me dar um impurrãozinho pra eu voltar pra cá :)

Maaas uma coisa boa desse período foi que voltei com força total a assistir animes e ler mangás, coisa que não fazia a um tempo e nessa minha nova/velha paixão me deparei com ele.... simplesmente o demônio de contrato mais lindo desse mundo e dos subterrâneos... por isso queria mostrar eles pra vcs!! 

Não tenho certeza se algum de vcs gosta de coisas da cultura japonesa, mas eu prometo que esse vai ser um dos únicos posts sobre o assunto e nem vai doer ler um pouquinho sobre o Sebby... hihihi

Bom, vamos a pequena descrição dele:

Segundo a wikipédia, Sebastian Michaelis é o mordomo da mansão Phantomhive e atua como guarda-costas Ciel, dois postos de trabalho dos quais ele é completamente dedicado. No entanto, ele não é excessivamente preocupado com o bem-estar de Ciel, já que o insulta e até mesmo causa danos à Ciel, para ver sua reação. (mentira isso o Sebby é suuuper dedicado, o Ciel que não dá a devida atenção que este mordomo merece... hunf). Ele é altamente qualificado em qualquer área e realizada todas as tarefas que recebe, não importa o quão impossível, assim como qualquer problema que surja com os erros dos outros. Trabalhos que parecem não lhe exigir muito,informando apenas que é apenas natural como o mordomo da família Phantomhive.
Sebastian pode se transformar em um corvo e sua verdadeira forma nunca foi revelada, já que sua aparência (assim como seu nome) tem referencia direta ao Ciel (ele se parece com o pai dele, Vincent, que foi assassinado num incêndio que destruiu sua família e seu nome era o nome do cachorro da família que também foi morto). Quanto sua verdadeira forma, uma representação de dentes caninos pontudos mais nítidas, botas de salto alto e unhas alongadas foram dadas (viu como o Sebby é interessante!! hahaha).    

Bom, agora que vcs já leram o quanto ele é um mordomo e tanto, vamos as imagens \o/


Com vcs, o mordomo Sebastian Michaelis :)








Então é isso, espero que vcs tenham gostado e prometo que postarei mais nessas férias, ok??

Beijos para todos (as)
Boa Noite :)
  
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Poema lindo *--*

sexta-feira, 10 de agosto de 2012.
Achei esse poema na internet e decidi compartilhá-lo com vcs!

Ficarei aqui sozinho
sorvendo o meu cálice de
auto piedade, fico olhando
A luz do dia tentando
me alcançar,na esperança de que
vou me salvar.
As lagrimas que caíram
dos meus olhos me
fizeram ver melhor
que algumas
coisas são somente vaidade.
Estou numa sala vazia
e ouço os meus pensamentos
Ainda estou suportando
Toda mentira que esse mundo
Vomita contra mim.
Vou me manter puro
Apesar de todos os
Sentimentos bons que havia
Em mim se corromperem.



Espero que gostem... beijos

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Um pouquinho de zumbis... pode ser?

Oi gente, 
Desculpem, mas prometo que a invasão dos zumbis vai ser bem rapidinha :)



PEQUENOS SPOILERS :D

Vim falar sobre uma série muito boa, que já está indo para sua terceira temporada, que é "The Walking Dead"... a série é baseada nos quadrinhos homônimos criados por Robert Kirkman. Na primeira temporada, descobriremos como é a vida na Terra após um apocalipse zumbi, em que a enorme maioria da população da terra foi infectada por um vírus misterioso que os transforma em mortos-vivos. Os poucos humanos que sobreviveram à epidemia agora devem se unir para encontrar um novo lar, longe dos zumbis.
Um desses grupos é liderado por Rick Grimes (Andrew Lincoln), um policial que acordou sozinho em um hospital cercado por mortos-vivos procurava a sua esposa, Lori (Sarah Wayne Callies), e seu filho que são encontrados, ele se junta a Shane (Jon Bernthal), seu ex-parceiro na polícia; Andrea (Lauren Holden), uma das duas irmãs que escapou da praga; Glenn (Steven Yeun), um varredor de ruas experiente; entre outros humanos igualmente assustados que lutam para escapar do vírus.


A primeira temporada de The Walking Dead foi incrível, cheia de emoções e corridas atrás de cérebros. Sua segunda fase veio com o peso da continuação e aguentou bem, porém foi pouco dinâmica.
Desde o primeiro episódio, com os sobreviventes liderados por Rick Grimes tendo que se esconder de um grande bando de zumbis que passou por eles na estrada até o último episódio, a série consolidou muitos fãs.
O subtítulo desta primeira fase da temporada deveria se chamar A busca por Sophia. Após o bando de zumbis passarem, a garotinha Sophia saiu correndo pelo mato com dois errantes em seu encalço, até que Rick conseguiu alcançá-la e a deixar num lugar seguro pedindo para que esperasse sua volta, antes de atrair os dois zumbis para a morte. Mas a garota estraga o plano ao sair cedo demais do esconderijo.
A partir daí eles começam a procurá-la e esquecem um pouco que existem milhões de zumbis por ai, já que as aparições deles ficam bem mais raras, principalmente, quando eles chegam à fazenda de Hershel.
Porém, as coisas vão melhorando, obviamente, quando vai se chegando mais para o final e a temporada termina com um gostinho de quero mais... 
E ai teremos que esperar até outubro, quando a série volta cheia de novidades e mais zumbis!!  

Bom é isso, espero que tenham gostado... 
comentem se gostam desta série ou não!!

Beijos  
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OMG 100 seguidores *--*

Oi povo querido do meu coração dark, depois de um milhão de anos sem entrar no blog eu descubro que tenho, lindos 100 seguidores!!!!
Muito obrigada por seguirem meu humilde bloguinho :)

E me perdoem pela falta de tempo em postar coisas, mas agora tentarei postar mais pra vcs!!!

Beijos, beijos e beijos!!!!
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SÉRIES: True Blood

quinta-feira, 15 de março de 2012.
Eu, como reles mortal atrasada das séries, que sou, estou tentando me atualizar e nada melhor que começar com um momento 4ª temporada de True Blood…
(Pode conter spoilers!)

Recapitulando o que aconteceu lá no final da terceira temporada, Russell foi derrotado e engessado no concreto para nunca mais voltar. Enquanto isso, Sookie resolveu ir para o mundo das fadas, onde, teoricamente, é onde ela pertence. O quarto ano abre exatamente com a protagonista neste universo belo, onde as pessoas se gostam, as frutas são brilhantes... Mas é lógico que isso não é normal. Sookie dá de cara com o seu avô, do qual ela julgara estar morto e descobre que as fadas, de belas e puras, não têm nada. Ela consegue voltar para Bon Temps, só que o tempo passa muito mais devagar lá naquela realidade. Pra Sookie foram apenas 30 minutos, mas para os moradores da cidade foram 12 meses. Todos preocupados com a rapariga, inclusive Eric e Bill que, agora, se tornou rei e todos os vampiros da região respondem a ele.
Foi tudo muito lindo, tudo muito “OMG como o Eric é gostoso!” e em cada momento que ele estava sem memória mais meu coraçãozinho gamava e tinha os momentos com a Sookie que iam de engraçados a sexys, maaaaas tudo que é bom dura pouco (e se tratando de Allan Ball e Eric dura menos ainda, né…) sua memoria voltou, mas ele continuou fofo e “in love” com a Sookie só que eu esqueço que existe o “Senhor bunda murcha” Compton que aparece pra acabar com tudo, como sempre… (ps.: Sookie, ainda to de mal com você por ter esnobado o Eric no final, é claro que eu ficava com ele… alguém ai quer o Bill??? A vontade, tá)
Mas (infelizmente) nem só de Eric vive True Blood, fiquei feliz que o Russel se soltou, o Alcide dando em cima da Sookie foi engraçado (mas eu pegava, lobão seu lindo!!), o Sam finalmente achou alguma mulher… (hahaha) e que me desculpe as fãs de Harry Potter, mas dei graças porque a Marnie se foi pro raio que a parta, porque o nariz entupido dela me dava nos nervos. O problema deste ano foi a descaracterização de alguns personagens que eram interessantes e roubavam a cena, Lafayette era divertido, boca suja, que não aceitava desaforo. Transformaram-no em um sentimental e quase sem relevância, utilizado só para ter medo e ser utilizado por espíritos, mas agora Jesus morreu e espero que as coisas mudem e a Tara também morreu… FESTAAAAA!!!!  (ps2.: só não gostei porque no livro quem leva o tiro é o Eric e é mó lindo ele salvando a Sookie, tá!)
Mas enfim, foi uma temporada boa, gostei de muitas coisas, principalmente quando mostravam os vampiros juntos, mesmo que o Bill estivesse nas cenas. Eu realmente achei que a temporada fosse ser ruim, porque eu já sabia que o Bill ia se tornar rei, mas espero que isso mude logo e que venha a 5ª temporada em junho, prometo que vou ver tudinho e falo pra vocês o que eu acho, enquanto isso algumas imagens da 4º temporada pra relembrar quem esqueceu…
                                         As mina pira no tanque do lobão... hahahaha
                                         O nariz entupido da tia do Harry Potter
                                          bla, bla, Bill Compton é o rei...
                                         Eric mostrando todo o seu amor... S2
                                          Eu amei essa cena... incrível... :)

E então, pra vocês qual foi o melhor momento da 4ª temporada???   Beijos        
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O que vem por ai...

segunda-feira, 12 de março de 2012.

Oie gente…
Depois de um tempo sem passar por aqui, resolvi atualizar vocês com minhas novas paixões… hihihi
Minha listagem de filmes perfeitos aumentou, com mais três novos amores que mais pra frente juro que falarei sobre eles:


     ·         Rainha dos Condenados
     ·         O Fantasma da Opera
     ·         Poucas Cinzas (um filme que quem não gosta do trabalho do Robert Pattinson deve assistir pra mudar seus conceitos – mas não pode ter preconceitos porque o ator faz um papel de gay, hein!)


E não é apenas somente isso (hahaha)!!! Minhas séries favoritas também aumentaram, entrou pra lista:
  •        The Walking Dead (que eu promento também que faço um post sobre ela aqui)

Mas nem por isso esqueço as antigas, depois de milhões de anos sem ver o último episódio da 4ª temporada de true blood agora eu vi e tenho algumas criticas para fazer ao senhor Allan Ball (mas isso fica pra outro post também… hihihi) e estou assistindo também (atrasadíssima) a 2ª temporada de Vampire Diaries que virou uma pequena febre pra mim, mais precisamente uma Damon fever… hahahaha

Enfim, agora que vocês tem uma listagem das minhas próximas postagens, quais vocês querem mais ver aqui??

Os resumos dos filmes ou minhas criticas com as séries??? Comentem!!
Beijos


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ALONE / Só

domingo, 4 de março de 2012.
Desde a infância eu tenho sido
Diferente d'outros – tenho visto
D'outro modo – minhas paixões
Tinham uma outra fonte e
Minhas mágoas outra origem -
No mesmo tom não despertava
O meu coração para a alegria -
O que amei – eu amei só.
Então – na infância – a aurora
Da vida atormentada – estava
Em cada nicho de bem e mal
O mistério que me prendia -
Da correnteza, da fonte -
Da escarpas rubras do monte -
Do sol que me rodeava
Em pleno outono dourado -
Do relâmpago nos céus
Quando sobre mim passava -
Do trovão, da tormenta -
E a nuvem tem a forma
(Quando o resto do céu é azul)
D'um demônio aos meus olhos.

Edgar Allan Poe

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A Máscara Da Morte Escarlate

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012.

Oi gente!
Nessas minhas andanças pela internet eu achei um blog muito bom ele se chama The Dark Open Door, que além de contar com assuntos de meu interesse, tem uma dona muito simpática que se chama Rafaela, então como a minha forma de demonstrar que eu gosto de um blog é colocando uma postagem dele aqui, escolhi um conto do Edgar Allan Poe que ela postou lá a pouco tempo, então ai está…. (como prometido no e-mail, né Rafaela… hahahah).


A Máscara Da Morte Escarlate
Edgar Allan Poe

A “Morte Escarlate” havia muito devastava o país. Jamais se viu peste tão fatal ou tão hedionda. O sangue era sua revelação e sua marca . A cor vermelha e o horror do sangue. Surgia com dores agudas e súbita tontura, seguidas de profuso sangramento pelos poros, e então a morte. As manchas rubras no corpo e principalmente no rosto da vítima eram o estigma da peste que a privava da ajuda e compaixão dos semelhantes. E entre o aparecimento, a evolução e o fim da doença não se passava mais de meia hora.

Mas o príncipe Próspero era feliz, destemido e astuto. Quando a população de seus domínios se reduziu à metade, mandou vir à sua presença um milhar de amigos sadios e divertidos dentre os cavalheiros e damas da corte e com eles retirou-se, em total reclusão, para um dos seus mosteiros encastelados. Era uma construção imensa e magnífica, criação do gosto excêntrico, mas grandioso do próprio príncipe. Circundava-a a muralha forte e muito alta, com portas de ferro. Depois de entrarem, os cortesãos trouxeram fornalhas e grandes martelos para soldar os ferrolhos. Resolveram não permitir qualquer meio de entrada ou saída aos súbitos impulsos de desespero do que estavam fora ou aos furores do que estavam dentro. O mosteiro dispunha de amplas provisões. Com essas precauções, os cortesãos podiam desafiar o contágio. O mundo externo que cuidasse de si mesmo. Nesse meio-tempo era tolice atormentar-se ou pensar nisso. O príncipe havia providenciado toda a espécie de divertimentos. Havia bufões, improvisadores, dançarinos, músicos, Beleza, vinho. Lá dentro, tudo isso mais segurança. Lá fora, a “Morte Escarlate”.

Lá pelo final do quinto ou sexto mês de reclusão, enquanto a peste grassava mais furiosamente lá fora, o príncipe Próspero brindou os mil amigos com um magnífico baile de máscaras.

Era um espetáculo voluptuoso, aquela mascarada. Mas antes vou descrever onde ela aconteceu. Eram sete: um suíte imperial. Em muitos palácios, porém, essas suítes formam uma perspectiva longa e reta, quando as portas se abrem até se encostarem nas paredes de ambos os lados, de tal modo que a vista de toda essa sucessão é quase desimpedida. Ali, a situação era muito diferente, como se devia esperar da paixão do duque pelo fantástico. Os salões estavam dispostos de maneira tão irregular que os olhos só podiam abarcar pouco mais de cada um por vez. Havia um desvio abrupto a cada vinte ou trinta metros e, a cada desvio, um efeito novo. À direita e à esquerda, no meio de cada parede, uma alta e estreita janela gótica dava para um corredor fechado que acompanhava as curvas da suíte. A cor dos vitrais dessas janelas variava de acordo com a tonalidade dominante na decoração do salão para o qual se abriam. O da extremidade leste, por exemplo, era azul , e de um azul intenso eram suas janelas. No segundo salão os ornamentos e tapeçarias, assim como as vidraças, eram cor de púrpura. O Terceiro era inteiramente verde, e verdes também os caixilhos das janelas. O quarto estava mobiliado e iluminado com cor alaranjada, o quinto era branco, e o sexto, roxo. O sétimo salão estava todo coberto por tapeçarias de veludo negro, que pendiam do teto e pelas paredes, caindo em pesadas dobras sobre um tapete do mesmo material e tonalidade. Apenas nesse salão, porém, a cor das janelas deixava de corresponder à das decorações. As vidraças, ali, eram escarlates: uma violenta cor de sangue.

Ora, em nenhum dos sete salões havia qualquer lâmpada ou candelabro, em meio à profusão de ornamentos de ouro espalhados por todos os cantos ou dependurados do teto. Nenhuma lâmpada ou vela iluminava o interior da seqüência de salões. Mas nos corredores que circundavam a suíte havia, diante de cada janela, um pesado tripé com um braseiro, que projetava seus raios pelos vitrais coloridos e, assim, iluminava brilhantemente a sala, produzindo grande número de efeitos vistosos e fantásticos. Mas no salão oeste, ou negro, o efeito do clarão de luz que jorrava sobre as cortinas escuras através das vidraças da cor do sangue era desagradável ao extremo e produzia uma expressão tão desvairada no semblante do que entravam que poucos no grupo sentiam ousadia bastante para ali penetrar.

Era também nesse apartamento que se achava, encostado à parede oeste, um gigantesco relógio de ébano. Seu pêndulo oscilava de um lado para o outro com um bater surdo, pesado, monótono; quando o ponteiro dos minutos completava o circuito do mostrador e o relógio ia dar as horas, de seus pulmões de bronze brotava um som claro e alto e grave e extremamente musical, mas em tom tão enfático e peculiar que, ao final de cada hora, os músicos da orquestra se viam obrigados a interromper momentaneamente a apresentação para escutar-lhe o som; com isso os dançarinos forçosamente tinham de parar as evoluções da valsa e, por um breve instante, todo o alegre grupo mostrava-se perturbado; enquanto ainda soavam os carrilhões do relógio, observava-se que os mais frívolos empalideciam e os mais velhos e serenos passavam a mão pela teste, como se estivessem num confuso devaneio ou meditação. Mas, assim que os ecos desapareciam interiormente, risinhos levianos logo se riam do próprio nervosismo e insensatez e, em sussurros, diziam uns aos outros que o próximo soar de horas não produziria neles a mesma emoção; mas, após um lapso de sessenta minutos (que abrangem três mil e seiscentos segundos do Tempo que voa), quando o relógio dava novamente as horas, acontecia a mesma perturbação e idênticos tremores e gestos de meditação de antes.
Apesar disso tudo, que festa alegre e magnífica! Os gosto do duque eram estranhos. Sabia combinar cores e efeitos. Menosprezando a mera decoração da moda, seus arranjos mostravam-se ousados e veementes, e suas idéias brilhavam com um esplendor bárbaro. Alguns podiam considerá-lo louco, sendo desmentidos por seus seguidores. Mas era preciso ouvi-lo, vê-lo e tocá-lo para convencer-se disso.

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VAMPIRA

domingo, 22 de janeiro de 2012.

Eu,
Objeto de desejos contidos,
Fruto suculento instigando furores libidinosos.
Eu, animal.
Eu, instinto.
Eu...fatal.
Aparentemente bela,
Superficialmente frágil,
Tal qual um frasco de veneno
Que, quebrando, esvai-se pelos solos, tornando-os inférteis,
E, se ingerido,
Torna-se sem solução.
Veneno do qual vários seres imploram antídoto.
Porém, um mórbido prazer me faz negá-lo.
E a crueldade em mim presente torna-me irresistível a incansáveis seguidores masoquistas.
Súditos suplicando migalhas do meu amor,
As quais prefiro lançar aos ventos, aos mares,
À Natureza, alcova dos meus segredos,
Que a mim empresta os seus mistérios,
E me faz encantadora sugadora de energias
A seu serviço,
A serviço da bola incandescente.
Do início do Universo,
Do ápice da existência.
Eu, energia...Eu, bela...Eu, fatal...
Arrasando corpos e colecionando almas,
À procura do encontro supremo,
O encontro com a minha própria existência...

Mariliz Marins
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